ressaca (1)

Finalmente darei continuidade a uma idéia inicialmente expressada neste espaço. Geralmente, falo que continuarei as reflexões mas, não dá tempo, ou creio que não é mais válido, no momento, escrever sobre as coisas que exponho aqui (que são importantes pelo fato de fazerem parte da vida de muitas pessoas).

No texto anterior falava sobre a ressaca, no entanto não continuei mais para que o corpus não ficasse enorme e para que a expectativa invadisse as mentes de vocês, meus heróicos seis companheiros que me acompanham nesse blog.

Ontem fui para a padaria assistir o primeiro jogo das semi-finais do Campeonato Paulista Séria A-1. Palmeiras e Santos –o peixe ganhou de 2 a 1, mas isso não vem ao caso. O fato é que durante a partida sentamo-nos, meu padrinho meu primo e eu, e acompanhamos os noventa minutos de partida. Durante o evento esportivo, pessoas apareciam na padoca, nos cumprimentavam, e se aproximavam, com seus copos e idéias. O ambiente etílico, botequeiro, e por aí vai, é uma concentração de experiências e cultura: quem discordar não sabe, de fato, a riqueza do que estou falando (na França o movimento boêmio, além de entornar umas, revolucionou a forma de se encarar e viver o mundo, evoé).

Pois bem, eu vinha para a casa de meu tio, de onde escrevo esse post hoje, e diversas pessoas me cumprimentaram: prova de como é possível fazer colegas nos botecos. “Ei Alfredo, vamos tomar uma gelada?!”, ‘ow garoto, o pessoal tá na padaria e já perguntou de você” (são algumas frases que ouvi). O mais incrível é que não possui segundas intenções, aparentes. Os caras quase nunca deixam eu pagar minha parte da conta –e nesses momentos, minha  capacidade de convencimento é acentuada “tudo bem, da próximo faço a minha” : isso quase nunca ocorre.

Consegui trabalhos freelancer bebericando. Entrevistei pessoas entornando. Conheci mulheres maravilhosas, tento como testemunhas diversas garrafas esvaziadas pelos copos que segurávamos. Criei um núcleo de conhecidos (e conhecimento) em cada botequim do bairro, onde cada freqüentador possui um estilo e postura moral –não tão segura, diga-se de passagem.

As figuras mais interessantes são as lendas, aquele homem que sempre passa louco por você, te abraça com um cheiro único e abissal de “CC”, e fala que você é muito legal e amigo dele. Esses caras possuem o dom de se manterem bêbados sem um real no bolso, e não te pedem para pagar uma dose ou dinheiro para tal empreitada –são incrivelmente surreais.

No ambiente etílico reina o gênero masculino, geralmente na (ou a caminho) da terceira idade. Por que um rapagão como eu (adoro usar palavras antigas, ando com gente das antigas, porra) frequenta esse tipo de lugar? Simples, preciso de material para trabalhar: trabalho com histórias –consequentemente, preciso de pessoas que me as conte.

Estou bebendo um vinho da serra gaúcha, domingo é sagrado (esse comentário não se encaixa na proposta temática proposta para esse corpus texto, mas dá uma dica boa de vinho; procurem).

Ontem (sábado) depois da partida de futebol, continuamos bebendo uma breja. Depois, fomos para minha casa assistir uns DVD’s, bebericando uma vodka que comprei por uma quantia irrisória, começo a esverdear (para quem não entendeu a piada, estou falando de meu surrado fígado). Ficamos, meu primo e eu, vendo filmes e entornando. Em certo momento, despertei (e não havia percebido que tinha adormecido). O álcool tem dessas brincadeiras: vamos tentar lembrar o que fizemos e falamos ontem? Um jogo de memória que poucos se atrevem a realizar.

Sinto que desta vez o tema se esgota e não consigo secá-lo, tenho que descer para ter assunto (mais interessante) para um próximo texto.

   

domingo 12 abril 2009 12:13


ressaca

Uma experiência , vivida pelas pessoas que costumam beber uma birita, é a ressaca. Existem vários tipos, níveis, intensidades e sintomas da corriqueira reação do organismo ao abuso de consumo de gorós.

Pois bem, a mais comum forma de ressaca é a estomacal. Ela ocorre quando a pessoa está no início de sua vida etílica. O inveterado beberrão acorda e sai correndo para o banheiro despejar todo o líquido que está no estômago, em alguns casos até a bílis (aquele líquido amarelo que lembra novalgina –quem já golfou isso me entende). Essa ressaca incita o “ressacudo” a pensar, ou mesmo dizer que “nunca mais vai beber”: isso dura até o próximo final de semana, em que chamam o pé de cano para ir a algum churrasco, ou sair a noite para algum boteco.

Pois bem, continuemos. Além dessa há a dor de cabeça, a taquicardia (que faz com que pense que vai morrer), a tontura, ou tudo isso junto. Não adianta fazer nada, é uma questão de tempo para que seu organismo guerreie contra as toxinas consumidas, espontânea e exageradamente. A ressaca, não importa o tipo ou intensidade, nunca será sentida uma única vez, e com passar do tempo e experiência, é encarada com garbo e naturalidade.

Combate

O ser humano, por se tratar de uma criatura pensante, desenvolve “n” maneiras de solucionar, (o que crê serem) problemas. A ressaca não poderia ficar de fora.

No caso da estomacal, a pessoa força o organismo (o estômago) para que ele se veja livre do líquido que tanto o molesta e provoca náuseas. A água tônica, por exemplo, possui essa utilidade (em raros casos as pessoas degustam espontaneamente essa bebida gaseificada e horrível –em minha opinião, é claro).

Vocês podem indagar, “mas se você repudia a água tônica, como vira um copo de cachaça? Que não é uma coisa tão deliciosa também”. A resposta é simples e mesquinha, porque dá barato. Por que o cidadão vai beber álcool para ficar do mesmo jeito? Caso assim queira, inventaram o refrigerante e sucos para isso, porra. Quando expressei essa opinião (a de beber pra chapar, caso ainda não tenham entendido), uma psiquiatra me disse que eu sou alcoólatra. Vejam isso, “alcoólatra”. E me receitou três tipos de remédio (para não dizer droga), inclusive uma que inibia a libido. “ Você tem uma vida sexualmente ativa?”, me perguntou, e não dando tempo para eu responder logo respondeu por mim:  “porque se tiver ela não será a mesma, enquanto fizer o tratamento”.

Essa mulher é louca, fui falar com ela sobre outras coisas, e ela só soube dizer que eu era alcoólatra e que fumava para fugir de meus problemas. Ela não deixou eu falar deles, porra.

Mas tudo bem, estou saindo da proposta temática que propus para este post: a ressaca (caso já tenham esquecido).

Além da água tônica, outras pessoas (faço isso às vezes) apelam para a água de coco ou mesmo para a água mineral, vejam só, sempre água “alguma coisa” ou a pura e vital água, base de muitos drinks (sim, o gelo não perde a essência aquática entre os ingredientes destilados e fermentados do biritum).

Outro recurso, muito utilizado aos finais de semana, é tomar mais uma, é tiro e queda. Abra uma latinha da marca de breja que mais te agrada e a beba. Os primeiros goles descem meio atravessados, mas depois de uns poucos minutos a vida volta a ter brilho e diversão (espero que a psiquiatra não esteja lendo isso: ela disse que mandaria me internar, caso eu não me esforçasse em parar o consumo de “alegria” engarrafada).

Vinícius de Moraes disse que “o uísque é o cachorro engarrafado”. Quem mais além de um poeta para resumir com tanta propriedade e beleza, através de uma metáfora maravilhosa, que não há problema algum em assumir que beber é bão demais?

Pois bem, fico por aqui, pois hoje é sábado e já me ligaram três vezes para ir a padaria virar uma gelada.

O próximo texto dará continuidade a essa reflexão e será acrescido de um debate sobre a “sociabilização” que a birita proporciona ao homem ocidental.

sábado 11 abril 2009 15:22


Parar de fumar

Finalmente tive tempo para registrar algumas idéias nesse espaço de irrealidades possíveis. O trabalho ultimamente não me dá brecha de tempo, mesmo eu trabalhando, exatamente, com a escrita.  

Pois bem, como não estou com clima para escrever sobre mijadas, ou fodas e o caralho a quatro, vou compartilhar minhas primeiras horas sem nicotina, depois de quase 14 anos de tabagismo, com vocês -minha meia dúzia de anônimos leitores, que quase nunca deixam comentários sobre o que leem (sem circunflexo, lembrem-se).

Eu comecei a fumar com 13 anos de idade, lembro que o primeiro cigarro que traguei foi um “Belmont”: sim, é uma prova de que eu era, de fato, um epígono na arte das baforadas. Senti a fumaça invadindo meus brônquios e, em poucos segundos, fiquei tonto. “Traguei, e ninguém me ensinou”, pensei orgulhoso. Na minha época, ou melhor nessa época dos 13 anos, havia na televisão propagandas de cigarro. As mais produzidas, fudidonas, eram do Hollywood: o cara escalando um iceberg e no topo da montanha de gelo flutuante acendendo seu cigarro para contemplar o oceano, “quero um cigarro”.  

Além de mim, outros colegas, na mesma condição de idade e experimentações, também se aventuravam com cigarros. Ouvindo Nirvana, sim era a época do grunge, bebíamos vinho barato e tentávamos fumar. Eu fui um dos primeiros a tragar, lembro que os outros se impressionavam falando: “nossa, ele consegue puxar a fumaça, falar com gente e depois soltar a fumaça”. Eu era admirado por ter conseguido entrar na estrada do vício antes dos demais (e que isso não soe como “panfletarismo” religioso, porra).  

Pois bem, daí em diante fumava todos os dias. Praticava esportes, basquete e sinuca eram meus favoritos. Enveredei para a sinuca, claro, pois é permitido fumar enquanto se joga. Continuei minha vida, fazendo as coisas (sempre com um bastonete nicotinoso no canto da boca, ou no bolso).

Tentei parar de fumar muitas vezes, nunca consegui. Ultimamente sinto umas dores no braço, por causa do trabalho (escrevo o dia todo, porra). Mas imagino que um dia meu membro superior (o braço, o braço, que fique bem claro) possa doer por outros motivos: como, por exemplo, por causa das toxinas diária e constantemente recebidas (espontaneamente, porque eu deixo) em meu organismo.

Quem fala que é fácil parar de fumar, é lendário. Meu, eu tô me irritando com o barulho do teclado do computador. Dá uma nóia tremenda, e o pior são os filhodaputa que descobrem que você está tentando parar e ficam te instigando. O mais assustador, no entanto, é o fato desse simples objeto de poucos centímetros fraquejar o membro superior (agora não é o braço, caralho). No entanto, mais uma vez, o fumante nunca lembra disso. Percebi que havia “propagandas” do ministério da saúde nos maços faz pouco tempo. A favorita da molecada é a do sorriso, porque dá pra vc simular que ele é seu (humor negro é o que mais se vende ultimamente nesse mundo de “alegria”).

Portanto, vão à merda, porque vou descer e fumar o primeiro do dia, porra. (perceberam que evitei falar das mijadas até aqui?)

quinta 02 abril 2009 09:40


A semântica do foda, ou “da” dependendo do ponto de vista

O idioma busca heroicamente representar os sentimentos de uma nação, em nosso caso a brasileira, que fala o português. No entanto, nosso português é desvencilhado dos cacoetes puristas que nossos companheiros do ultramar insistem em manter. O rato do computador é um exemplo radical da violência deles, em não assumir que é o mouse que faz a setinha andar pela tela do computador, por exemplo.

Pois bem, não é sobre isso que propus falar, de imediato, no título desse texto. Falo do “foda”. Essa palavra transita serelepe e livremente em todos os níveis gramaticais e semânticos de nosso idioma. Ele pode ser um verbo, um substantivo, um adjetivo e por aí vai. É uma palavra riquíssima em utilizações: serve para exaltar indignação, “é foda”, alegria “que foda!”, indiferença “foda-se”, e até mesmo raiva ‘vai se fuder!!”.

Quando o foda vem à tona, atrevo-me a pensar no mandarim (um dos idiomas falados na China, além do cantonês). Um som pó de possuir dezenas de significados, dependendo do tom e do contexto em que ele é encaixado. O foda chega próxima dessa complexa estrutura analógica do oriente.

O foda, em si, é cercado de sentidos e intenções de demonstrar o leque de sentimentos que possuímos. A foda, também, representa, mas já em um nível prático, atividades humanas que garantem a espécie na terra, também.

Essa palavra é considerada, dependendo no nível moral de atraso na evolução do idioma, um palavrão. Mas, e isso é fato, ele é um “coringa” para diversas situações do dia-a-dia e exalta com sinceridade, em alguns casos, tudo o que pensamos e exprimimos com palavras sobre determinadas situações.

Por exemplo. Você bebeu horrores e não consegue entender o que seu interlocutor fala. Ele faz pausas entre uma idéia e outra, e é possível perceber, pela fisionomia dele, o que a idéia que ela expõe representa. Ele termina um bloco de frases com uma careta de indignação, você simplesmente repete a expressão (fisionômica) e diz “é foda”. Ou a pessoa termina sorrindo, satisfeita, e você não entendeu porra nenhuma. Mesmo assim sorri falando, um mais demorado e espontâneo, “ééé fooodaaa”. Ou ainda, a pessoa termina séria de falar e te olha bem nos olhos, você, muito austero mantém a troca de olhares e fala secamente, “foda”.

É um fator , creio, universal, para as línguas do ocidente, pelo menos. No inglês há o fuck, no alemão o fick, e tudo isso é foda... literalmente.

Para que as atenções continuem, e o blog seja lido, continuarei essa idéia em breve. É   foda (previsível, Né?)

domingo 08 março 2009 14:38


Mijadas: fatos e mitos (2)

Relendo o primeiro texto sobre mijadas, percebi que algumas coisas foram descritas de forma abstrata. O "amigo" que escrevo não é uma pessoa, no entanto é tão importante quanto (ao menos para um homem). Sim, o amigo é o bilau. Portanto, releia a primeira parte dessa profunda reflexão existencial e substitua, em sua imaginação (que espero que tenha), a palavra amigo por bilau -ou o que mais agradar (a mim isso não agrada, por isso a deturpação semântica de amigo: humanizo uma parte do homem).

Pois bem, voltando à reflexão. Detive-me no mictório de alumínio, que é o mais popular e constrangedor de todos. Já aconteceu de eu estar mijando em um enorme bacião desses e um cara chegar no banheiro. Como a raça humana está onde está graças a sua curiosidade, foi inevitável eu virar a cabeça (de cima, deixo claro) para averiguar quem era.

O que fazer nessa situação?

(1) Voltar a mijar e fingir que não tem ninguém no banheiro?
(2) Acenar timidamente com a cabeça (mais uma vez, a de cima, para que fique bem clara minha intenção), com um sorriso tipo Monalisa (ela mesma, a do da Vinte), pois você é um cara educado e não vê problema algum em ser cordial mesmo mijando?
(3) Falar “opa”, correndo o risco do cara se aproximar e puxar papo (enquanto puxa seu amigo –o dele - da calça)?

Essas são questões complexas. Elas mechem com toda a formação do homem (ser masculino nesse caso).

Caso tenha escolhido a primeira opção, você muito provavelmente é uma pessoa que se importa em manter a privacidade. Se escolheu a segunda opção, você é educado, ou inseguro, ou ainda as duas coisas, ou pior: tende a ser uma pessoa que escolheria a opção 3. Essa é muito arriscada pelo fato de provocar uma situação constrangedora para você (o cara chegar do lado e puxar papo pode ser por pura educação ou pode ser viadagem). Ou pode ser uma situação constrangedora pro cara: caso você seja um pavio curto e estiver esvaziando pela enésima vez sua bexiga, por causa de uma brejolas, uns sopapos podem acontecer.

Caso ocorra a agressão, os dois ficam com os bilais (ou seria bilaus?, foda-se) para fora, trocando socos e por aí vai: e pode acontecer de mais uma pessoa entrar e testemunhar a cena. Aí, nesse caso, ela tem que apanhar também para não pensar que vocês dois (de bilau de fora) são um casal em crise.

Essa exposição é importante. Ela prova que os mictórios de alumínio são complexos, eles não garantem intimidade alguma, entre você e seu bilau, e ainda contribuem para a violência.

Como estamos nos aprofundando (sem maldade) nesse polêmico e inevitável tema, nos preparemos para explorar a porcelana, a louça e as privadas. Isso não é nenhuma novidade, Marcel Duchamp já falou, artisticamente sobre isso no século passado. Esse papo todo basta por hora.       

 

sábado 28 fevereiro 2009 11:10


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